quarta-feira, 6 de setembro de 2017

BRASIL - RIO GRANDE DO SUL - O PAMPA



BRASIL - RIO GRANDE DO SUL
O PAMPA

Mauro Martins Santos



É POR AQUI>

Surpreendente este bioma que toma quase todo o Estado do Rio Grande do Sul-BR. Confesso-me - como brasileiro - surpreso por pensar que o pampa  fosse somente voltado para a pecuária...Olha aí a diversidade - inclusive dessas “grifes” de vinho - constantes de cartas internacionais agora. Com certeza o Pampa  contém subsídios marcantes aos gaúchos, ditando modo de vida, usos e costumes, mistérios, extravagâncias, belezas naturais e literárias, musicalidade, solidão e nostalgia, e muito mais . As imagens, parcelas coletadas pela arte fotográfica de EDUARDO AMORIM, FOTO EXPRESSÃO LIVRE e SCHÖNHOFEN, mostra das vinícolas, coxilhas e planos  congelados, horizonte sem fim a não se registrar nos olhos pela distância das planuras... e olha isso: há até cactos! Parabéns ao pessoal que registrou em fotos e legendas, isto que se pode chamar Beleza!





Imenso tapete verde

O pampa é uma das grandes regiões de campos temperados do mundo.
É o equivalente, no hemisfério sul, às pradarias da América do Norte e às estepes da Ásia.

O pampa também é cenário de um grande patrimônio cultural.

Inicia-se na Argentina, no pé da Cordilheira dos Andes, estendendo-se pelo Uruguai e pela metade sul do Rio Grande do Sul.

O nome “pampa(s)”, de origem quéchua (quíchua) - língua falada no império Inca -, significa região plana. Além de plano, o pampa é predominantemente uma região baixa, de planície.

Os pampas têm a vegetação herbácea, de 10 a 50 cm de altura, como vegetação predominante. A paisagem é homogênea e plana,
assemelhando-se a um imenso tapete verde.
É considerada a região que produz as melhores carnes do mundo.
É o único bioma restrito a somente um estado brasileiro, o Rio Grande do Sul.

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Bioma desprezado



O pampa só foi reconhecido como bioma brasileiro em 2004.
Talvez por não ter a exuberância das florestas, sempre houve a crença de de ser um bioma pobre, não despertando interesse.

Reconhecido ou não, o fato é que o Pampa traz consigo, além da paisagem de campo característica do sul do país, uma importância histórica e cultural para o povo gaúcho. Assim, torna-se de extrema relevância que seja considerado área de preservação prioritária.

Em 2009 a região do Pampa foi incluída na lista de biomas protegidos pela Constituição, junto ao Cerrado e a Caatinga. Isso ajuda o reconhecimento da tradição pampeana como cultura brasileira, já que este bioma Pampa está presente apenas no Estado do Rio Grande do Sul
.

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N. - VAMOS EM PRÓXIMA  PUBLICAÇÃO FALAR UM POUCO DAS CARTAS VINÍCULAS QUE NÃO SÓ SURPREENDEM OS BRASILEIROS, SUL AMERICANOS COMO ORESTO DO MUNDO POR SEU REFINADO "BOUQUET" E PRECIOSAS SAFRAS. FRUTOS DO PAMPA BRASILEIRO, EM CONTRAPONTO ÀS VINICULAS ARGENTINAS, EM QUALIDADE E PROCURA. QUANTO À CARNE MAIOR PRODUTOR MUNDIAL EM QUANTIDADE E QUALIDADE.

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Maior detalhamento da área dos pampas :
O maior fator de unidade da região dos pampas é o povo em comum entre
Uruguai, Argentina e Rio Grande do Sul: o gaúcho, além dos  ancestrais indígenas: Charruas, Caingangues; povos indígenas tupis-guaranis arregimentados pelas missões jesuíticas.


O pampa gaúcho caracteriza-se pela marcante influência dos países do Prata, devido à proximidade com a Argentina e Uruguai.

É notória a influência do castelhano no sotaque e no léxico gaúchos. Muitas expressões são compartilhadas pelas populações dos países platinos.




Indígena dos povos e  das nações que povoaram os pampas intra-fronteiras citadas.
Note-se as boleadeiras, até hoje usada, e sua técnica dominada pelo pampeano nato.
*

Tendo como miscigenação, mestiços espanhóis e índios, sua origem é sobretudo, argentina e uruguaia e Nações guaranis, os carijós, charruas, os minuanos, caáguá, caingangues. Fortemente perceptível, quanto mais perto daquelas fronteiras, o sotaque castelhano se acentua, em uma alegre e desprendida fala, alta e rude, porém mais que pitoresca é bela e mui sonora. Sobretudo nas melodias de pura poesia e a Poesia Crioula ou Nativista, cantada ou declamada com fundo de violão pelos Pajadores (como se chamam os exímios poetas repentistas crioulos ou nativistas.
O ritmo muito se tem de uruguaio e argentino: fandangos, vaneiras, milongas... Se bem que mais acima, se mesclam ritmos herdados portugueses, italianos e demais colonizadores como espanhóis como a tirana e o anu: chamarrita, pesinho, chula, lundu, caninha-verde,  e as populares cantorias e danças portuguesas - chimarrita e pezinho e uma gama muito rica de musicalidade e ritmos: tirana, tatu, pinhão e outros. 


Para que não se perca no passado as queridas tradições, não só os velhos, mas os de todas as idades, inclusive guris, gurizotes e piás (crianças, garotos, e rapazotes) em boa parte, frequentam os CTG (Centros de Tradições Gaúchas), aliás bem espalhados pelo Brasil, pela alegria sincera, respeito aos regras e estatutos vigentes, onde impera de fato a ordem e o apego moral. As mulheres casadas, solteiras ou comprometidas, ali s sentem seguras e protegidas. Cada gaúcho ali presente é um guardião das antigas tradições, que dizem honrar seus ancestrais. É uma "confraria" onde se bebe o chimarrão tradicional, e como falam, pode-se fazer contraponto como uma "canha" (caña) a cana ou aguardente, a pinga que é sinonímio de outras destiladas ou mesmo a cerveja, para que deseja, e para quem não bebe nade o impede, nem tem zomba de tomar sua água mineral ou refrigerante. Enfim é um ambiente festivo, extremamente alegre e democrático, dentro da ordem e respeito.
Os CTG(s) são o palco do gaúcho tradicional e verdadeiro, desurbanizado na alma, incorporado de campo, pampas e coxilhas - mesmo que já esteja ganhando seu pão na cidade -
ao ingressar o portão do "velho galpão" de um CTG, sua alma se solta arisca e feliz como a de um quero-quero.
Ali se canta ritmos dolentes de campo e galpão, de estâncias e fogo-de-chão, solta sua voz contida pela modernidade, dança ao sol de uma cordeona, tambor e violão, faz sua prenda rodar a saia ampla, pilchado (vestido a caráter) e ingressa no universo gaúcho de mesa e bailanta.

Invernada pampeana a perder-se o horizonte de vista na planura verdejante.


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Inicialmente o termo "gaúcho" foi aplicado com sentido pejorativo (como sinônimo de ladrão de gado, vadio, que no falar local hoje se diz *gaudério aos mestiços e índios, espanhóis e portugueses que naquela região, ainda selvagem, viviam de prear o gado que, fugindo dos primeiros povoamentos espanhóis, se espalhava e reproduzia livremente pelas pastagens naturais. (Quanto ao animal fugitivo, alongado, que vira selvagem, usa-se muito o termo bagual)

*Sinônimos de Gaudério: vagabundo, errante, andarilho, parasita, andante  sem endereço fixo, anarquista, autônomo, libertário...

Igualmente livre também, sem patrão e sem lei, tal era o gaúcho que desta forma se originou e se espalhou pelo Rio Grande do Sul .



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O FRIO DO INVERNO NOS PAMPAS DO RIO G. DO SUL 
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Congelar no Rio Grande do Sul, não é exclusividade das alturas da serra:
mesmo sendo uma região baixa, as pradarias do pampa registram temperaturas negativas. Com seu relevo plano, o vento corre forte.
No inverno, há o lendário vento minuano vindo direto da patagônia antártica, é congelante, e é forte e ululante. Na solidão dos confins dos pampas à noite chega a ser lúgubre, ou no melhor termo tristonho "abichornado". É tão frio que os gaúchos dizem que é de fazer "cusco renguear" = cachorro se endurecer, de arrastar as pernas.
Atravessa casacos pesados, toucas e ponchos, colocando sua sensação térmica de encontro ao corpo. Sente-se o frio “nos ossos”, que na realidade doem abaixo da pele, da carne, dos músculos.
Como dizem os sulistas e gaúchos o “minuano congela a alma”. Em várias localidades  rio-grandenses do sul, há precipitação de neve. Geadas, às vezes pesadas, é por demais comum. Mas o gaúcho se diz  um "taita" (um forte, valente) e de tudo retira as mais lindas melodias e poesias. Há notáveis sucessos de conjuntos musicais nativistas que falam exatamente das intempéries inclusive das costumeiras geadas e da neve, do calor do fogo de chão e do chimarrão para rebater a friagem.



UM BOM "AMARGO" = CHIMARRÃO, PARA REBATER A FRIAGEM = FRIO    







PONCHO DE LÃ PESADA PARA REBATER A FRIAGEM DA NEVE QUE SE ACUMULA
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CAVALOS PASTANDO NO GELO







Guris tiritando no frio indo para a escola


Próxima publicação 

A surpreendente variação de recursos que fornece o Pampa, por isso disse: O BIOMA DESPREZADO e hoje sendo descoberto em sua RIQUEZA E BELEZA.

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