segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A VIDA ÍNTIMA DO PENSAR



A VIDA ÍNTIMA DO PENSAR



Bom será antes de enunciar qualquer produção literária, dizer a que nos propomos ao exprimir por escrito ou por palavras, o objetivo. Aqueles que - igualmente a mim - convivem intimamente e apreciam o gênero literário: Pensamentos - aqui antes terão o conceito do ato de pensar, e a seguir a ação do pensamento propriamente dito.
E ao após algumas citações sobre o que é pensamento.

PENSAR - De origem no latim, pensare, é um processo complexo (no sentido das apreensões das formas, signos, uso dos cinco sentidos, que é possível se desenvolver a partir de um ponto inicial de treinamento (aprendizagem) que é continuo por toda a vida da pessoa saudável.

A consciência faz sua parte no mecanismo do processo pensante apreendendo de um conteúdo, determinados objetos firmando uma combinação de ideias, exige a ação da inteligência e a capacidade de abstração (descrever só os objetos materiais, reais não é pensar).

Faz-se necessária uma atividade consciente imediatamente antecedida da cognição para emitir a mensagem a um domínio perfeito e preciso, firmado na reflexão da mente. É ainda sem ferir a linha pensante, uma maneira de ver ou julgar o mundo das abstrações e concretudes formando finalmente um raciocínio, usando de uma linguagem em um idioma seu ou que domine (dentro do PENSAR).

Pode-se usar de todo esse processo com pleno domínio de suas faculdades cognitivas, já adquiridas ou das vigentes, quer pela imaginação ou os dados presentes na mente em nexo causal lógico e coerente. Quanto mais pensados e usados os atributos dos conhecimentos adquiridos, mais claro o entendimento do objeto a ser trazido à concentração dos interesses a serem fixados na mente dos interlocutores; pela meditação, reflexão, imaginação ou suposição adrede avaliada, que o emissor do pensamento se propôs atingir.




PENSAMENTOS

Brasileiros:
São grupos ilhados compostos de pessoas pacíficas e conformadas, cercadas de pessoas corruptas, assassinas e violentas por todos os lados.

[M. Martins Santos]

*Qual a alusão do autor do pensamento acima e de onde surgiu a reflexão, sua imaginação? Da definição ao termo geográfico de ilha, talvez cercada de tubarões ferozes e implacáveis matadores.


Aos de bom espírito:
Digo-vos: praticai o bem. Por quê? O que ganhais com isso?
Nada, não ganhais nada.
Nem dinheiro, nem amor, nem respeito, nem talvez paz de espírito. Talvez não ganheis nada disso.
Então por que vos digo: Praticai o bem?
Porque não ganhais nada com isso.
Vale a pena praticá-lo por isto mesmo.

[Fernando Pessoa]

*Talvez o autor Fernando Pessoa, tivesse pensado em forma de paráfrase, metáfrase,nas palavras de Cristo :

1. "Fazei o bem sem olhar a quem"
 2.“Não faça aos outros o que não quer que seja feito a você “

A primeira frase é uma metáfora, metáfrase, de Gálatas 6.10: “Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, aos irmãos (aos que caminham juntos, e repartem o pão) na fé”.

É claro devemos ser bondosos, benignos, ajudadores (Gl 5.22). Mas fazer o bem (nos dias de hoje) “de olhos fechados” pode ser perigoso. Existem muitos vigaristas, estelionatários,roubadores, matadores... Eles sempre contam casos tristes para aplicar os seus golpes, muitos familiares nossos tem sempre um caso a contar: "por não terem olhado a quem estavam ajudando, acabaram sendo lesados".Outros por ingenuidade mais dose de ganância, caem nos "contos do vigário", que mudam a estrutura da forma mas a modalidade é a mesma.

O próprio Jesus nos diz: em Mt 10:16  " Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos, sede portanto astutos (prudentes) como as serpentes e símplices (mansos) como as pombas.' "http://www.hermeneutica.com/img/clear.gif

Procure, na medida do possível, ajudar as pessoas que estão realmente necessitadas: 'Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra' (Dt 15.11).
Alguém poderá argumentar: “Mas a Bíblia manda-nos fazer o bem até aos que nos odeiam!”  - Sim, é verdade. E foi Jesus Cristo quem ensinou isso (Mt 5.44). Contudo, temos de saber distinguir as circunstâncias. Tem situações e situações... Quando somos perseguidos e até odiados por alguém ou um grupo discordante, é de bom princípio e recomendável não se revidar (até para não se igualar) - Rm 12.20 -. Essa é uma situação: tratar bem; (não revidar é um bem) às pessoas que nos fazem o mal.

Fazer o bem a pessoas que agem de má fé e aplicam golpes já conhecidos é uma negligência! Paulo ensinou: “(...) Noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina (ensinamentos) que aprendestes; desviai-vos deles” - Rm 16.17 -.

A segunda frase: "Não faça aos outros o que você não quer que seja feito a você" (também chamada de “regra do ouro”), muito conhecida no mundo todo, é utilizada desde a antiguidade, por diferentes povos.

Sua origem é discutível (alguns atribuem ao sábio chinês Confúcio), mas o fato é que quase todas as religiões baseiam-se nessa ideia, inclusive o judaísmo e o cristianismo.

No livro de Tobias (apócrifo ou ausente, nas “versões protestantes” ou da “fé renovada” - da bíblia), por exemplo, pode-se encontrar essa máxima no versículo 15 do capítulo 4. Porém, Cristo parece não ter ficado completamente satisfeito com a construção de negativa verbal desse pensamento.

Em Mateus 7:12, o Mestre usa esse conceito em um de seus ensinos, mas com uma importante modificação:

"Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas".
Para muitos, o que Ele fez foi apenas uma reprodução ou metáfrase de um pensamento já conhecido por todos em épocas anteriores, mas se analisarmos a fundo veremos que Ele mudou consideravelmente o foco.

Enquanto o provérbio “original” ensina a não realizar algo ruim (“não faça”), Jesus ensina algo mais profundo, pois em vez de colocar uma proibição e de ensinar a deixar de fazer o mal, ele mostra que devemos fazer o bem ao nosso semelhante!

Superficialmente pode-se não notar diferença, mas é como aquela frase atribuída a Albert Einsten: "O mal não existe; é, na verdade, a ausência do bem". Portanto, se não quero o mal para mim, de forma positiva devo fazer o bem!

"A infelicidade quer seja no mundo, quer dentro de mim mesmo, resulta do fato de ter sido destruído o amor. Desse ponto de vista, senti, de repente, que eram verdadeiros e profundos os dizeres do Novo Testamento: “ Se não vos fizerdes como as crianças…” Ou: “O reino dos céus está dentro de vós”.

[Hermann Hesse]


Deus deve usar muito de seu bom humor quando Ele age e são os humanos que viram santos.

[M.Martins Santos]


O acaso é um bilhete deixado no lugar onde ocorreu o milagre, quando Deus não quer se identificar.

[M.Martins Santos]


Se Deus quisesse que os animais não humanos fossem inferiores aos homens e não só diferentes biologicamente, não lhes teria colocado a dor.

[M. Martins Santos]

*

O PENSAMENTO

O pensamento é o objeto, o que é apreendido pelo sujeito do conhecimento; tudo o que se apresenta ao espírito, que se oferece ao próprio pensamento, à que se dirigem os sentimentos; e o espírito pensante emite as ideias concatenadas no ramo da linguística como semântica, pela lógica interpretando e dando o devido significado aos sistemas formais. Pela interpretação dos signos que o homem acumula lhes dando significado e da ação.

O pensar é o verbo na expressão da palavra, dando ao pensamento a dinâmica das evoluções intelectuais, ao emissor da produção das imagens quer literárias escritas, ou pela oralidade.

Esta simples articulação textual é no sentido de preparar terreno e já o acreditar pronto, para receber as futuras sementes de pensamento não só deste autor; mas quando oportunos e tempestivos, de outros autores, a nos falarem do que lhes foi ou vai na alma.

*


Entre o saber e o fazer atos cristãos, há um profundo abismo que somente por meio de nossa humildade, e da graça de Jesus Cristo em nosso coração, podemos transpô-lo, tendo Sua cruz como ponte de travessia.

[M.Martins Santos]







quarta-feira, 26 de outubro de 2016

BONSAI - ACER



DESCRIÇÃO - CUIDADOS

Espécie: Acer

Origem: China e Coréia

Características: Árvore de folhas caducas, possui folhas vermelhas quando são jovens, depois na fase adulta folhas verdes durante o verão, e vermelhas durante o Outono.

Ambiente: Pode ser cultivado a pleno sol (evitando o sol do meio dia que se pode controlar com a sombra de plantas de porte alto) no mínimo 4 horas diárias, adapta-se em ambientes interno desde que seja bem iluminado e que necessariamente tenha incidência de luz solar no bonsai. No inverno proteja contra geada, removendo-o para lugar coberto.

Rega: Mantenha o solo sempre úmido, mas não encharcado. Durante o verão o cuidado com a água deve ser redobrado (visto que o calor evapora a água mais rapidamente, lembrando sempre que a planta está em um espaço pequeno), mas mesmo assim,  não mantendo o substrato encharcado. Nos dias quentes é aconselhável borrifar as suas folhas. Não só dos aceres mas de toda espécie.

Poda: A poda de manutenção do Acer é feita cortando-se os galhos que saem da zona não desejada (ou seja, fora do padrão do estilo escolhido) do tronco ou da copa. As podas mais drásticas (aquelas que abaixam a árvore a ponto de abaixá-la um terço ou mais) devem ser feitas no inverno. A desfolha (auxiliar na brotação de novas folhas, retirando as velhas e opacas, ou secas) pode ser feita no verão, uma vez por ano, se o bonsai estiver sadio.

Adubagem: Adubar semanalmente durante um mês - depois que aparecerem as folhas novas, e posteriormente a cada quinze dias até o final do verão. Não esquecendo de proceder a quantidade (líquido ou orgânico) conforme a indicação do fabricante, estabelecido em bulas ou na caixa ou frasco.

Transplante: Mudar de 2 em 2 anos, sendo a melhor época em fevereiro. O corte das raízes deve ser pelo menos 1/3. Não adubar nas 4 semanas seguintes.

Altura : Adequar o bonsai ao seu gosto; mas nos aceres velhos assenta-lhe melhor uma altura de bonsai médio, que se consegue ao decorrer dos anos pela podas da copa.

ACER MAME (OU MINIATURA)

SER POETA


Ser Poeta

Ser poeta (20 de outubro – Dia do Poeta)
*Olivaldo Júnior



Um dia, quando eu menos esperava, passou um anjo de óculos e... Zum! Me fez poeta; bateu asas e voou. De lá para cá, primeiro a lápis, depois à máquina e, mais recentemente, a teclado, deixo vir milhões de versos à luz de todos, porque a Poesia quer largar os livros, saltar dos sites e pular na boca e nos ouvidos de quem mais precisa. Eu sei que preciso escrever, mas há muitos que também precisam. E você?


Sexta-feira, à noite, conheci um jovem que tem feito das palavras sua forma de resistência às drogas. É um jovem muito humano, que se preocupa com o próximo e, através de suas letras, quer fazer um novo mundo para os outros e para si. “O importante é a mensagem”, disse ele. E é verdade. Muitas vezes, ficamos presos à métrica, à forma dos versos, o que é muito legal e vale muito, mas não é só isso. Ser poeta é só isso? Não, ser poeta é bem mais que saber fazer uma trova, escrever um soneto, botar os pingos nos “is” e querer dominar todas as técnicas de escrita. 

Ser poeta é falar em público um poema, seu ou de alguém, pois o que vale, ao fim das contas, é o contato com as pessoas que querem do poeta o que ele tem de melhor: sua visão de mundo. Em que mundo você vive? O que tem feito de sua vida? Não sei, mas o anjo poeta sabe.




Ontem estive em uma companhia teatral daqui (de Moji Guaçu-SP), a Parafernália. Houve música, dança, teatro e, é claro, poesia, que ninguém é de ferro! Num belo ambiente, bem lírico, o público se emocionou e pôde sentir a energia que a Arte nos dá. Energia que o senhor sentado à mesa comigo tem sentido, iniciando sua carreira teatral depois dos sessenta anos e se dando a chance de brilhar. Ser poeta é iluminar, mesmo apagado, o viver.

Dia 20 de outubro (p.p) é (foi) o Dia do Poeta, data criada em 16 de novembro de 1999, durante a XXX Conferência Geral da UNESCO. Mas, assim como todas as datas comemorativas, o Dia do Poeta acontece todos os dias, quando alguém se senta e, seja num papel, seja numa tela, ambos em branco, deixam marcas, muitas pistas para um mundo em que todos podem estar, o da Poesia. Que venha o anjo de óculos! 
Amém.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

AQUILO QUE NÃO SE OUVE



























Não escutamos a um pôr do sol, uma das maiores maravilhas da Criação


















  



Não ouvimos o crescimento de um gigante vegetal. Cresce ha século silenciosamente


Aquilo que não se ouve

Nós ouvimos claras e em bom som
As vozes gritadas, falsas ou excitadas,
Nos palcos, nos palanques ou nos púlpitos,
Dos altares erigidos à beira dos precipícios de arenito
Falam de forma demagógica, hipócrita...
Escatológica, com grito e barulho enganador,
Mistificadores apresentam as gaiolas de ouro
Que fazem plateia e povo, prender seu deus.


Desprezam-se hoje o valor do silêncio...
De uma flor ao se abrir nada se ouve,
No entanto é o desabrochar da maravilha
De uma obra da criação. Um pôr do sol...
O germinar de uma semente é absoluto silêncio,
Mas olhem as araucárias, as sequoias adultas,
Há quase século: de semente ao porte gigantesco
Sem ruído algum crescendo, frutificando,
E o homem com sua parafernália destruidora
As abatem em segundos, com estrépito e barulho...

Uma semente germina em absoluto silêncio, e após dezenas 
de silenciosos anos, produz um gigante vegetal



As ideias surgem em silêncio e podem mudar vidas,
Atentem para os jovens que estão mudando a cara
Deste país, locupletado pelos arautos de palanque,
Que ao roubar o erário, cometem genocídio a um povo,
Que morre quase ao vivo diante da TV, pela falta daquilo
Que proviria - da pilhagem do sofrido dinheiro do povo


Mas por misericórdia divina, jovens imbuídos do dever
De justiça, vestindo a armadura da dignidade, investigam
E mostram pelo menos as caras sem máscara, dos meliantes
Travestidos de arrogantes autoridades... E quanta arrogância...


Não escutamos o ruído da relva, das flores que crescem,
Nem de uma árvore nem de uma criança,
O importante não está no alarido, no bater no peito, nos gritos,
Nas ameaças, nas (falsas) promessas desses criminosos
Nos altares, nas tribunas, secretos gabinetes fechados,
Mas no silencioso e fecundo  brotar das sementes na terra,
Nos germens da esperança, na justa consciência dessa juventude
Cuja autoridade maior está na honestidade, no amor à nossa Pátria...  


Vejam já tenho setenta anos, e logo mais farei aniversário,
E nessa altura, ser otimista não é coisa fácil... 
Mas presto atenção nas Entrelinhas da vida
E creio que “A justiça tarda, mas não falha”,
Não apenas como um ditado a mais, mas uma crença.
Com Deus, o “Senhor do Tempo e da História” o mal nós venceremos.
Já  começamos a vencer!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A ARTE NOS FASCINA

A ARTE NOS FASCINA


Desenho infantil, criança de 8 anos, e colorido pela mãe artista


                                    Desenho -estudo- de John W. Watherhouse


Bico de pena e aquarela -monocromática
de M.Martins Santos

Desenho "realidade fantástica"


                                              Arte-Foto - vários disparos


       Arte-foto P&B (sépia) 


  Escultura em abóbora (Pinterest)





Mauro Martins Santos
Da Academia Guaçuana de Letras  (AGL)

A arte pura é fascinante! Ela nos faz flutuar ou mais: - como pássaros encantados a flanar por universos imaginários - no sentido de que cada beleza, 
cada descoberta se apresenta cheia de possibilidades infindas; é o extravasar do ser, a sensibilidade, o toque, a busca, a sensação de que o ser humano é muito mais do que o próprio existir. Há a criação explícita em potência, cessa o tempo; sem passado, presente, futuro... Pura essência de um momento integral. Há na arte a licença de Deus para que o artista congele sua obra no exato instante de sua criação.

Podemos vislumbrar uma luminosidade por frestas de nuvens noturnas, apenas um pequeno fulgor; mas muito além dessa tênue luz, existe uma gigantesca estrela. Um gerador infindável de energia.
É o gênio da criatividade e da imaginação exercendo sua verdadeira razão  de se estar vivo e pensante no mundo. 

Deveria nos bastar simplesmente flutuar, propalar e deixar expressar a leveza do ser cotidianamente, mas há algo mais além da argamassa das aparências, através das emanações puramente mentais. Se assim não fosse seria sempre o exato, óbvio ou lógico. Não seria arte, mas ciência.

Independente do tema, estilo ou técnica tratados, notamos que na produção da arte, mais especificamente na pintura, há uma preocupação com a beleza poética, embutida na representação buscada além da realidade visível. Neste texto não falaremos especificamente das emoções buscadas por outros fatores impactantes como: horror, revolta, espiritualidade, compaixão, fé, etc. Embora o escopo dentre todos os temas sejam o mesmo. (Exemplo, os Cristos do pintor alemão Grünewald, Matthias), que causam pelas aparências meio putrefatas, um misto de horror, asco, compaixão, piedade, fé... Aliás era isto que o autor buscou...

No geral o verdadeiro artista, aquele que busca cooptar os visitantes, trabalha com a matéria das emoções da alma e a espiritualidade. Harmonia e equilíbrio entre os elementos que compõem o quadro. Resultado disto serão imagens ornamentais, cheias de pormenores e detalhes, cores luminosas que dão sensibilidade estética às pinturas onde o romance - mesmo um rudimentar e hesitante erotismo - unidos e disfarçados por uma certa inocência, também por isso, na arte, têm lugar de destaque. 

Os nus femininos eram sempre rodeados de anjinhos, para “quebrar” o impacto da nudez explicita das personagens figurativas.
Mas a gênese da arte empreende atividades para causar impacto; o inusitado, e nisto em primeiro estágio é esperada a reação de quem recebe a mensagem, e torna-se a paga do artista. Ao depois a recepção e o resultado da leitura da obra, dentro das nuances de cada arte: a repercussão.

*





















Disse Fernando Pessoa: “A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta”. E não basta porque ao inquiridor da verdade contida na beleza, é a parabólica busca do Santo Graal.
Tão elaborada é a prosa poética da lenda - como soa também a do próprio Rei Artur, que muitos - e a mente humana é prodigiosa - creem piamente tanto na existência do Santo Graal como ainda em Artur da Távola Redonda e sua saga, e em Morgana, Avalon e suas brumas perenes.

Como toda história - mito ou lenda - da antiguidade, buscavam-se reforçar com a disseminação em prosa, rima ou canto dos menestréis a valoração do caráter humano, suportada nas “regras gentis” de cavalaria, seu desejo pela aventura e a afirmação da honra, e a onipresença da Igreja a fazer sombra sobre os castelos e reis levando a defesa da fé aos extremos, exortando os personagens à busca da recompensa e galardão da eterna e infinita bondade. 

Assim não poderia ser de outra forma. A lenda e às vezes a total crença no mito arthuriano era um grito de liberdade, mas também e sobretudo, de contínuas conquistas.

Provavelmente  foram esses os principais motivos para que um mito que reporta a ritos e regras  tão distantes no passado, possa ainda seduzir e permanecer enraizado ainda com tanta força de crença (de muitos), e profundidade, enraizado nas mentes de muitas pessoas, sejam elas  britânicas ou cidadão do resto do mundo.

Guinevere sagra cavaleiro Sir Lancelot

Depedida - Ultimo olhar de Guinevere aos cavaleiros que vão à guerra


Guinevere em inglês, e em galês Gwenhwyfar- era consorte do rei Arthur  e personagem de uma lenda dentro de outra lenda, no ciclo lendário da Bretanha. Tão bem descrita, tão lindamente elaborada, os detalhes: alta, magra, olhos azuis, cabelos longos e ruivos como o sol poente; a ponto de querermos fortemente que ela existisse a se prolatar nos séculos. E nos contentamos em imaginá-la. 


Guinevere e Lancelot


Guinevere figura na lenda de um romance com Sir Lancelot, cavaleiro da Távola Redonda, dentro da saga arthuriana.

Valerá a sedução dos personagens desta lenda, além dos homens também para as mulheres, se versarmos para Sir Lancelot, Galahad, Percival ou outro Cavaleiro da predileção feminina, ou o próprio  rei Artur de Camelot. Desta saga fantástica, Guinevere, a ¹Dama de Shallot e o Castelo de Camelot, sempre me seduziram, dos quais retirei muita inspiração para desenhos e pinturas a óleo, dos maravilhosos quadros de Sir John William Watherhouse.




Aliás, não seria exatamente essa a missão das palavras, tanto orais quanto em maior grau as escritas, juntadas às imagens ilustrativas, que mesmo ficcionalmente sendo, nos farão parecer realidade?

Que não se pense que ao adentrar as brumas de Avalon e deixando de lado terreno menos distante no tempo e no espaço, estaríamos nos distanciando do foco da temática das artes.

Ainda dentro do campo ficcional, cheguemos mais para perto de hoje.




Sherlock Holmes, criatura de Conan Doyle

Falemos então de Conan Doyle e de seu Sherlock Holmes. Mais que um simples personagem, Holmes se transformou em protagonista, tão factível quanto a criatividade de Sir Conan Doyle pode produzir. Era o criador do famoso detetive particular, um oftalmologista frustrado (não tinha clientes, talvez pela sua especialidade) daí um fracassado e ocioso em seu consultório.

Para preencher seu tempo vazio Doyle resolveu criar Sherlock Holmes e fazer umas publicações em jornal londrino. Em resumo: o autor conseguiu fazer a imaginação dos leitores mutacionar - e transladar Holmes da ficção para o plano da realidade - como se verdadeiro fosse, com todas as situações e ações de seus famosos casos. E Holmes “engoliu” o autor. O mundo falava muito de Holmes e pouco de Doyle. E hoje ainda é comum muitos não saberem quem foi Conan Doyle, mas quase todo mundo sabe quem é Sherlock Holmes.

Foi, segundo os especialistas em literatura geral, e os especializados em contos policiais, sobretudo os Sherlockianos, um fato inusitado e incrivelmente inédito do personagem antropofagiar o autor, eliminando-o e passando a existir de forma autônoma. Com estilo de vida, domicílio, objetos pessoais, locais de frequência, violinista, boxeador, esgrimista, fumante de cachimbo e químico por vocação.

Sherlock Holmes e seu auxiliar nos casos policiais, Dr. Watson


Existe ainda a discussão sobre a Universidade que frequentou na Inglaterra. Discutem em qual delas Holmes foi aluno, dentre as grandes e mais antigas do Reino Unido - e reivindicando o famoso detetive particular como aluno desta ou daquela. Há diversos clubes, confrarias e associações voltadas para o estudo da “vida” e “modus operandi” do celebre detetive, e, que se ocupam de verdadeiras filigranas, coletadas nos contos e novelas sherlokianos

Há visitação turística permanente ao endereço de Holmes em Londres, Baker Street, no icônico endereço -221b; a casa virou o museu “Sherlock Holmes.
Numa típica casa vitoriana, o espaço é pequeno, mas vale a pena conhecer! A decoração fiel dos cômodos é a tradicional da época, e não somente se vê de perto, como supostamente viveu o famoso detetive, mas também encontram-se alguns de seus contemporâneosentre eles seu arquiinimigo, Moriarty, em bonecos de cera impecáveis. Seus objetos pessoais: o violino, o cachimbo, a lupa, o famoso boné, os tubos de ensaio, álbuns de recortes de jornais, chinelos que Holmes usava...

E assim nos deleitamos em ter o personagem vivo em nossos pensamentos e sonhos. O que antes somente a força literária das palavras, movia a imaginação, não é assim também que fazemos hoje ao sonharmos como os hodiernos contatos visuais? Neste caso, houve um percurso atualizado, chegando-nos o personagem hambientado e modernizado cenograficamente por mais de sessenta interpretes diferentes, de Holmes, nas telas do cinema, dos anos oitocentos e inicio dos novecentos, aportando no ano de 2016.

“Sem imaginação não há espanto”, disse Conan Doyle pela boca de Sherlock Holmes. Contudo, o objetivo do criador da arte é fazer com que as pessoas pensem, e pensando imaginem e imaginando naveguem, voem, viajem a outros “mundos” no estofo da fantasia, no encanto, tomando assento no próprio veículo criativo que detém  ante si, e atravesse os tempos.

Serve a arte também para outros desígnios que a criação imaginativa possa fazer; protesto, denúncia, reivindicação, revolta, incitação, vingança, ódio, discriminação, sensualidade, erotismo, pornografia...
Da mesma forma que a arte é livre, também os espectadores, plateia, visitantes, assistentes, ouvintes, são todos também livres para assistirem, verem, frequentarem ou não os locais de arte.  

A arte nunca vem até nós, somos nós que nos dirigimos a ela. A buscamos. Por isso há botões, controles, ingresso aos recintos,  ser preciso a compra de material em áudio, visual ou impressos.

Como finalização é interessante registrar um fato verídico, ocorrido com um dos maiores dicionaristas brasileiros - senão o mais conhecido: Aurélio Buarque de Holanda e seu dicionário “Aurélio” ou “Aurélião”, como o chamam popularmente. Foi o seguinte: - Duas senhoras idosas, tanto quanto era Aurélio, escreveram-lhe uma carta (no tempo a comunicação era, ou carta ou por telégrafo), dizendo-lhe: “Você não tem vergonha Aurélio, um homem velho, escrevendo tantas obscenidades, palavras de baixo calão e termos chulos, em seu dicionário!?”
- Aurélio responde às duas senhoras - que por sinal eram suas amigas - desta única e sucinta forma: “O que vocês estavam procurando??”


Como disse Goete em Fausto, parodiando Hipócrates: “Ars longa, vita brevis” (latim, a frase original era em grego) em ordem indireta mais poética: Longa é a Arte, breve é a vida.



Giz pastel - Gaivota - M. Martins Santos



¹ The Lady of Shalott é um poema ou balada vitoriana, escrito pelo inglês Alfred Tennyson (1809 - 1892). Assim como seus primeiros poemas - Sir Lancelot and Queen ... Inspirados na saga arthuriana.